Editorial

 

O novo número da Falso Movimento conta com a tradução original de um texto de Tom Conley, publicado na revista Rouge por ocasião do falecimento de Marie-Claire Ropars, no qual o autor relembra o pensamento e a obra da teórica francesa. Rita Benis observa a transição do argumento Vai-e-Vem para o filme Vai e Vem, de João César Monteiro, para iluminar o lugar central da palavra no universo do cineasta. Joana Moura complementa o regresso à célebre colaboração entre Wim Wenders e Peter Handke em Der Himmel über Berlin com um conhecimento renovado da obra do autor austríaco. Falando de Mário Cesariny em Autografia, Emília Pinto de Almeida reflecte sobre a singular potencialidade lírica do cinema. Com a análise minuciosa de um filme de Joris Ivens, Maria Filomena Molder evidencia o estatuto das palavras enquanto ferramentas de transmutação das imagens cinematográficas. Guillaume Bourgois, por fim, propõe uma aproximação inesperada entre a estética neo-romântica de Herzog e as Cartas a um Jovem Poeta de Rilke.
Este terceiro número da revista acompanha a conclusão das actividades do projecto de investigação Falso Movimento – estudos sobre escrita e cinema, no âmbito do qual ela foi criada. Um volume reunindo os vinte textos publicados ao longo dos três primeiros números será brevemente publicado pela editora Documenta.


Os editores